
Na TV Câmara, líder do PDT afirmou que recuperar a confiança da população é fundamental para aumentar a cobertura vacinal.
Durante participação ao vivo no programa Expressão Nacional, da TV Câmara, nesta quarta-feira (17), o deputado federal Dr. Mário Heringer (PDT/MG) defendeu uma mudança de abordagem para ampliar a cobertura vacinal no Brasil. Médico ortopedista e líder do PDT na Câmara, o parlamentar afirmou que o país precisa reforçar campanhas de vacinação, mas também combater a circulação de informações falsas.
Segundo Dr. Mário, o Brasil construiu uma trajetória de excelência em imunização ao longo de décadas, mas o avanço da desinformação e o enfraquecimento da credibilidade criaram obstáculos para a manutenção dos altos índices vacinais.
“As campanhas de vacinação sempre foram muito bem feitas. O Brasil deu show durante muitos anos nisso. Agora nós precisamos fazer uma campanha de recuperação da credibilidade”, afirmou.
Para o deputado, a perda de confiança abriu espaço para a disseminação de conteúdos enganosos e discursos negacionistas.
“Pessoas sem preparo passaram a divulgar informações erradas e receberam uma credibilidade que não deveriam ter. Precisamos recuperar a confiança de quem transmite informações de interesse público.”
Ao lembrar sua própria infância, Dr. Mário ressaltou que as novas gerações cresceram sem conviver com doenças que antes eram comuns e deixavam sequelas graves.
“Eu sou do tempo da catapora, do sarampo. Eu tive essas doenças e sei o quanto foi importante vê-las desaparecer. Por isso preocupa assistir a esse retrocesso.”
Vacina onde o povo está
Outro ponto defendido pelo parlamentar foi a ampliação das estratégias de vacinação fora das unidades de saúde. Inspirando-se na conhecida frase da música popular brasileira de que “todo artista deve ir aonde o povo está”, o líder do PDT afirmou que o mesmo princípio deve orientar as políticas públicas de imunização.
“Nós precisamos levar as vacinas às pessoas nos seus locais de maior concentração. É mais fácil deslocar uma equipe de vacinadores do que exigir que milhares de pessoas se desloquem até um posto.”
Nesse contexto, ele apontou as escolas como um dos principais instrumentos para aumentar a cobertura vacinal entre crianças e adolescentes.
“As escolas deveriam ser um ponto central dessa estratégia. Precisamos levar a vacina ao maior número de pessoas possível, em vez de esperar que elas venham.”
O deputado também destacou que muitos pais enfrentam dificuldades para comparecer aos postos de saúde durante o horário comercial.
“Às vezes os pais não têm tempo. Os horários coincidem com a jornada de trabalho. Criar um pouco mais de complexidade na logística pode ser mais eficiente do que esperar que o convencimento, sozinho, resolva o problema.”
Segunda dose ainda é desafio
Durante o debate, Dr. Mário chamou atenção para outro problema que afeta os índices de imunização: o abandono dos esquemas vacinais antes da conclusão das doses recomendadas.
Segundo ele, muitas pessoas desconhecem a necessidade de reforços e doses complementares, situação observada em diferentes vacinas do calendário nacional
“Muita gente toma a primeira dose e não volta para a segunda. Eu mesmo quando jovem não sabia da necessidade de reforços até ter mais informação sobre isso.”
Para o parlamentar, o desafio exige criatividade na comunicação e ações permanentes de educação em saúde.
Comunicação além da propaganda tradicional
O presidente do PDT de Minas Gerais defendeu ainda o uso de espaços culturais e audiovisuais para disseminar informações sobre vacinação de forma mais natural e cotidiana.
Na avaliação do deputado, campanhas tradicionais continuam importantes, mas podem ser complementadas por mensagens inseridas em novelas, séries, filmes e outras produções financiadas com recursos públicos.
“Nós temos que aproveitar todos os mecanismos de comunicação. Não é preciso bombardear as pessoas com propaganda. Muitas vezes uma mensagem simples, inserida naturalmente em uma novela, um filme ou uma minissérie, tem muito mais efeito.”
Para o pedetista, a estratégia permitiria ampliar a conscientização sem gerar desgaste ou rejeição do público.
“Falta aproveitar melhor essas oportunidades para comunicar a sociedade e melhorar as condições de prevenção e saúde pública.”
Ao final do debate, Dr. Mário Heringer reforçou que a vacinação continua sendo uma das ferramentas mais eficazes da medicina preventiva e defendeu que o tema seja tratado como uma política permanente de Estado.
“Precisamos ser mais criativos, recuperar a confiança da população e levar a vacinação para perto das pessoas. Esse é o caminho para proteger vidas e evitar o retorno de doenças que o Brasil já conseguiu controlar.”
